domingo, 10 de maio de 2009

sobre Valsa de Bashir

Tinha um segundo voo longo pela frente, e meu estoque de leitura tinha acabado no primeiro. No meio de uma típica livraria de aeroporto, lotada de dicas para ser um vendedor pit bull e versões para o sucesso de Obama/Bill Gates/ Madonna, encontrei um último exemplar de "A Valsa de Bashir". 

Alguma hora, o blog vai debater sobre a Guerra do Líbano, mas agora ele vai ficar restrito à estética do livro. 

Primeiro ponto: o formato em quadrinhos, a despeito do tema. Eu estava empolgado com a ideia de uma HQ sobre um tema como esse. Sabia que era necessária muita originalidade, ou pretensão, para fazer uma investida dessa, e quis dar um crédito para o autor.

Não é a primeira vez que isso é feito, vide o imprescindível "Maus", de Art Spiegelman. (Crédito para o Muha, que me apresentou o livro). Novamente, a preocupação com a memória é o tema central - sendo "Maus" o registro da memória do pai do autor, sobrevivente do Holocausto, enquanto "Valsa..." é um registro autobiográfico de um ex-soldado tentando resgatar a memória apagada da sua participação  no Líbano. 

Na verdade, o formato original é o próprio filme (desenho animado), sendo os quadrinhos uma adaptação. Fiquei chateado quando descobri isso, principalmente porque já tinha comprado o livro.  Comparando com o trailer  no youtube, dá para perceber que HQ foi feita com quadros selecionados do filme. 

É um tema denso, não apenas pelo episódio em questão - a Guerra do Líbano e os massacres de Sabra e Chatila - mas pela própria forma como é abordado.  Se trata de uma descoberta - quase no sentido literal - da memória individual perdida. Um episódio que de fato aconteceu, mas foi sublimado do consciente, criando uma incompatibilidade entre o tempo psicológico do autor e o tempo cronológico. "Valsa..." conta o desafio do autor em alinhar esses tempos. Apesar de ainda não ter visto o filme, acho que foi uma ótima ideia a transposição para HQ.

Um dos grandes méritos dos quadrinhos é respeitar um pouco mais o tempo dos leitores. 

HQ permite ainda ter a obra guardada na estante, pronta para ser relida. O que inclui a facilidade para revisitar a obra de forma fragmentada, lida aos poucos - o que, no caso de uma adaptação de uma obra originalmente cinematográfica, representa a possibilidade de perder o fluxo de consciência . 
aproximar o leitor do escritor - o soldado e o registro pessoal da Guerra e dos massacres.  





terça-feira, 5 de maio de 2009

Economia e Cidadania

Não ficou bem feito, mas foi uma primeira tentativa de articular esses dois temas: economia e cidadania.
Para quem tiver paciência.
Um agradecimento em especial para o Pedro, que me inspirou a escrever esse ensaio. Fica aqui a citação que faltou, já que não coloque a devida bibliografia.
http://docs.google.com/Doc?id=dgzhxrrk_20d94qp7gt